quinta-feira, agosto 04, 2005

SANTA LUZIA


Luzia, Santa Luzia,
És minha estrela-guia,
És a luz que me alumia.

Vejo-te em Daniela,
Nos olhos dela.
Quero-os só pra mim.
É difícil (bem sei), mas
Quero-os só pra mim.

Toco,
Aliso,
Lambo,
Trago.


— Num pote estão os santos olhos!


Gala e lágrima os conservem.


São Paulo, dezembro de 1993

quarta-feira, agosto 03, 2005

PEÇA ORATÓRIA*

Sou gago, mas não sou Demóstenes. Peço, pois, a Calíope, musa da eloqüência, auxílio; e a vós, paciência. Porém ficai tranqüilos: serei breve e não citarei Saint-Exupéry.

Há quatro anos e meio adentramos em mais um barco, o curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco, dessa vez rumo a um diploma.

A viagem foi conturbada, com tormentas e bonanças.

E hoje, ao chegarmos ao porto não tão seguro da vida profissional, é inevitável a saudade dos companheiros que foram navegar em outros mares: João Pessoa, Brasília, Petrolina, Panquecas e alhures.

Também vêm à memória lembranças da jornada: aulas esdrúxulas, debates infindos, brincadeiras reveladoras, sala i (onde tão coisa rolou) et cetera e et cetera e tal.

Entretanto, é deveras dolorosa admitir, o que mais marca esta quase qüinqüênio é a mediocridade reinante na Universidade.

O principal motivo desta catástrofe são professores, funcionários e alunos inaptos para uma instituição produtora e distribuidora de conhecimentos.

Porém não acusemos somente a Universidade. A mediocridade não é exclusividade sua. A mídia também está plena de sandices e mais sandices.

É... O mestre Raul Pompéia tinha razão: A escola não forma a sociedade, reflete-a.

Mas hoje é dia de júbilo. Encerramos outra etapa da vida. Regozijemo-nos, pois.

Findo, então, esta peça oratória com o otimismo do genial Oswald de Andrade, vaticinando: A massa ainda comerá do biscoito fino que fabricaremos.

Recife, julho de 1990

* Lida pelo autor na colação de grau da turma de Comunicação Social