segunda-feira, julho 11, 2005

QUE PAÍS É ESTE? *

Em que país se pode ver jovens russos, etíopes, drusos e latino-americanos, com seus rifles, tomando sorvete na praça? Em que país há quatro mares, desertos, crateras e picos nevados? Que país é tão jovem (só 56 anos) e tão velho (mais de 5.700 anos) ao mesmo tempo? Em que país muitos latino-americanos se sentem tão seguros e tão inseguros? A resposta dessas perguntas (e de muitas outras) é única: Israel.


Israel é comer salada e peixe no café da manhã. É plantar tomate no Deserto de Negev. É tomar banho sem afundar num mar onde não há vida. É emocionar-se com a fé de tantas religiões, mesmo que o observador seja ateu. É perceber que a guerra faz parte da vida do povo. É ver um palestino legislar na Knesset, mas não ver nenhum no Exército. Israel é tudo isso e muito mais.Como bem definiu Ben Gurion, o primeiro primeiro-ministro dos israelenses, "Israel tem tanta história para tão pouca geografia".

Mas Israel não é apenas história. O país também tem muito presente e muito mais futuro.

Entretanto como mostrar tudo tudo isso em poucas linhas ou em poucos segundos? Como explicar aos leitores e/ou ouvintes que há crianças enfrentando tanques com pedras, mas que elas podem estar com bombas e os tanques podem estar protegendo inocentes? E como contar que há ambulâncias que salvam vidas e há outras que levam a morte?

Enfim, como mostrar Israel com todos seus paradoxos e tantas sutilezas?

Uma forma é mostrar todos os lados que estão envolvidos nas questões. Mas são tantos e com tantas divisões e subdivisões?As dificuldades começam com os nomes: Monte do Templo ou Esplanada das Mesquitas? Judéia e Samaria ou Cisjordânia? Execução legal ou assassinato? Israel ou Palestina?

E os números, então. Cada lado calcula a sua maneira. Há muito tempo que a matemática não é neutra.

Parece ser uma missão impossível.Parece e é.

Mas não é porque é impossível que os jornalistas não devem tentar. Afinal, mostrar todos os aspectos de um fato, sendo o mais imparcial possível, é a obrigação dos jornalistas. Que Mercúrio, deus dos jornalistas, os proteja! Porém que ninguém se esqueça (nem um lado, nem outro, nem os jornalistas e, principalmente, nem os leitores/ouvintes): Os fatos são os fatos e as notícias são somente as narrativas dos fatos.

Kibutz Shefayim, junho de 2004

* Trabalho de conclusão do curso Os Meios de Comunicação em Áreas de Conflito